Encargo social é um dos maiores obstáculos para as indústrias

Uma pesquisa de opinião realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com sindicatos, federações e associações setoriais da indústria sobre o tema Relações do Trabalho revelou que a principal preocupação das empresas é a questão dos encargos sociais.

Os dados, distribuídos nesta terça-feira (17/11) na Sessão Temática de Relações Trabalhistas e Sindicais, mostram que o custo mensal das empresas com cada empregado é de aproximadamente um salário extra. "Isso desestimula a geração de empregos e o aumento dos salários", cita o boletim.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore, a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas e o aumento da hora extra de 50% para 75%, se aprovadas, elevarão o custo da mão de obra em cerca de 50%, com sérios impactos na competitividade da indústria.

"O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez um levantamento que, levando em conta apenas a produtividade das empresas, mostra que essa redução da jornada elevaria o custo da produção em 1,99%. Esse custo poderá traçar o destino de uma empresa entre permanecer ou sair do mercado", avalia Pastore.

O representante do grupo Votorantim, Antônio Daniel de Almeida Violante, exemplificou que para manter a competitividade e fixar o trabalhador foi preciso oferecer planos de assistência médica suplementar e previdência privada. "Ou seja, estamos pagando duplamente", avalia Violante.

Para ele, a nossa legislação é um grande problema para os empregadores. Enquanto as empresas se modernizam e buscam a inovação a legislação trabalhista é desatualizada. "A justiça interpreta a lei. Porque a lei não se modifica e se moderniza?", indaga.

Além do professor da USP e do executivo do grupo Votorantim, compuseram a mesa do debate o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI, Francisco de Assis Benevides Gadelha, e o ministro corregedor geral da Justiça do Trabalho, Carlos Alberto Reis de Paula.

Encontro Nacional da Indústria

Fonte: CNI